9 esportivos incríveis na pista

Concorrentes que combinam o passado, o presente e o futuro se enfrentam pelo título de Carro Esportivo do Ano

 

Por Jack Baruth // Fotos: Evan Klein e Richard Pardon

O Sol se tornou um staccato, um brilho pontilhado através de uma cobertura de árvores que avança rapidamente como um filme acelerado pelo Porsche 911 Turbo S e pelo ronco polido e abafado de seu boxer biturbo de 580 cv. Estamos em uma estrada que parece conectar dois lugares da forma mais serpenteante possível. Há uma crista acentuada à frente e os pneus dianteiros do Turbo saem do chão e cantam ao recuperar a aderência antes de eu retomar a aceleração. No começo da subida seguinte, no meio de uma curva à direita feita em quarta, uma depressão no asfalto causa uma pancada forte no cockpit, exigindo que eu cruze os pulsos brevemente para a esquerda e depois para a direita, anulando a oscilação não prevista antes que ela me atirasse entre as árvores.

Ao longe, pelos espelhos, vejo o Lotus Evora, com sua boca grande caçando ondulações no asfalto quebrado durante as frenagens, depois levantando ligeiramente quando recupera a aderência na saída da curva. Há regras que devemos seguir nessas excursões, e uma destas regras é sempre manter contato visual com o carro que vem atrás de você. Até agora eu segui a regra, embora não rigorosamente. Mas o adolescente em mim, o encrenqueiro que fica folheando esta revista enquanto deveria estar prestando atenção às aulas de Gramática, acabou irritado com qualquer regra imposta por entidades como o Departamento de Trânsito e o próprio Isaac Newton.

Wordsworth disse que a criança é o pai do homem, então como eu poderia recusar o pedido daquele rebelde sem causa e inconsequente de 16 anos que me colocou ao volante deste carro neste exato momento? Com um clique na aleta esquerda coloquei a terceira, colei o acelerador no assoalho e deixei o torque locomotivo do Turbo completar o salto para o hiperespaço. Adeus, Evora. Adeus, regras.


Quinze minutos depois parei no meio do nada e desci do carro. A fumaça emanava dos discos de carbono-cerâmica, dissipando-se ao redor de mim, enquanto o fastback amarelo estalava à medida que o metal superaquecido resfriava com a temperatura do chão da floresta. Então sentei ao volante e comecei a dirigir novamente, esperando o Lotus no espelho. Deixei para trás as coisas de menino, como disse o apóstolo Paulo. Estou pronto mais uma vez para respeitar as regras. Há um trabalho a ser feito.

CRITÉRIO: O CORAÇÃO 

Este é o Ceda, nosso grupo de testes do Carro Esportivo do Ano, eleição que acabamos de criar. Os concorrentes devem ser novos ou signficativamente renovados para 2017, e eles precisam ser carros tradicionais, capazes de chegar aos limites do alto desempenho na pista e na estrada. Isso significa que não há espaço para crossovers, SUVs, hot hatches ou aventureiros. O teste se estende por quatro dias, dois deles dedicados às estradas sinuosas no interior de Kentucky e Tenessee, nos EUA; outros dois são gastos no NCM Motorports Park.

Apesar de convidarmos todos os carros que se encaixem nos critérios, alguns fabricantes não conseguem conciliar suas agendas com as nossas e outras preferem não expor seus produtos à luz da competição direta. Neste ano tivemos nove competidores. Escolhemos o vencedor em duas rodadas de discussão entre nossos dez editores. Embora os tempos de volta e outras medições de desempenho tenham sido registrados no NCM, este não é um concurso de volta mais rápida ou uma batalha de fichas técnicas. Medimos tudo com o cronômetro e avaliamos com nossas sensações. Mas, no fim, acabamos escolhendo com o coração.

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O encontro dos motoristas aconteceu ao nascer do sol, em um pequeno estacionamento em Kentucky. Depois que recebemos as orientações para o resto do dia, ligamos os motores, alinhamos e partimos para a estrada. Qualquer um destes carros chamaria atenção por si só, mas o comboio colorido como um pacote de balas atraiu um formigueiro de estudantes suados e relutantes a caminho da aula em uma escola próxima. Há muitos carros atraentes aqui, do alado Jaguar F-Type azul cobalto ao Lotus Evora laranja. Mas para a multidão de estudantes o Honda NSX vinho era a rainha do baile.

Saí do estacionamento ao volante do aguardado supercarro, usando o modo elétrico enquanto a multidão se forma com seus iPhones empunhados nos dois lados da rua. A familiaridade gerada pela presença contínua do NSX na mídia ao longo do ano passado claramente não gerou qualquer tipo de rejeição nesses jovens ansiosos. Eu também não fiquei muito intimidado pela estranha combinação de interior espaçoso e pelos botões que lembram muito os do sedã Acura TLX.

É difícil ser o alvo de 50 câmeras de smarpthones e resistir à vontade de se exibir. Não sabia como ativar o modo de largada do NSX, mas pude girar o seletor do console central para o moto Sport Plus, afundar o acelerador com o freio pressionado e sair cantando os quatro pneus. Há uma cacofonia dos ruídos e interrupções mecânicas seguida da vibração das pessoas que ficavam cada vez menores no retrovisor. Alguns minutos depois, com a cidade já a uma distância segura atrás de nós e com o caminho livre adiante, o ritmo ficou mais acelerado. Todos esticávamos nas retas e testávamos a aderência nas curvas. Logo ficou claro que em momento algum teríamos problemas com os limites do NSX.

Dizem que não há modo econômico neste híbrido, apenas três modos esportivos diferentes e um modo silencioso, no qual os ruídos externos são abafados e o motor se desliga ocasionamente, com pouco efeito sobre a velocidade. O NSX me lembra… alguma coisa. Não consigo lembrar o quê. 


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