Fiesta 1.0 EcoBoost: paixão escondida

Ford escolhe o Fiesta para lançar o premiado motor 1.0 turbo EcoBoost. Mas olhando de fora, nem parece

Por João Anacleto // Fotos: Bruno Guerreiro

Dizem que uma paixão só é de verdade quando continua interessante sem ser novidade. E é isso que a Ford tenta mostrar que sente pelo Fiesta. Sem mudanças aparentes para a linha 2017, a marca coloca sob o seu capô, pela primeira vez no Brasil, o motor mais premiado de sua história. Vencedor por cinco vezes consecutivas do Engine of the Year, ou Motor do Ano, eleito por jornalistas de todo o mundo na categoria abaixo de 1 litro, o 1.0 EcoBoost com três cilindros turbo traz inovações tecnológicas inéditas por aqui. Com ele a marca firma posição de afeto com o comemorado carro da atual geração, aposenta a motorização Sigma 1.5 16V (que deve ficar reservada apenas para frotistas) e sobe o sarrafo da linha, partindo da versão SE, com ar, direção e o sistema My Connection 3 por R$ 51.990.

Como você viu recentemente aqui na Car and Driver, a sétima geração do Fiesta chega já em 2018, mas até lá quem tiver R$ 71.990 pode saborear o conjunto dinâmico apreciável do Fiesta de um jeito novo, quase à plenitude. Ele produz os mesmos 125 cv do motor Sigma 1.6 16V quando abastecido a gasolina, mas faz diferença na sua condução em virtude do torque extra gerado pela magia da turbina.

 

FANTASIA

Agora são 17,3 mkgf, em vez dos 15,8 mkgf, do 1.6 com gasolina, e até mesmo dos 16 mkgf gerados quando abastecido com etanol. Outra diferença é o momento em que eles aparecem aos seus pés. Enquanto no Sigma você só tem a plenitude dessa força com 4.250 rpm, no Ecoboost eles estão a postos a partir de 1.400 rpm. Ou seja: em dois segundos de aceleração ele lhe dá tudo o que você precisa para se divertir.

O único senão deste Ecoboost é que ele não será vendido com módulo flex. “Tínhamos pouco tempo para lançar essa versão, além do desafio de fazê-la competitiva em preço. O desenvolvimento de uma variação flex para este motor implicaria em mais tempo e mais custos”, explica Volker Heumann, diretor de engenharia da Ford do Brasil. Vale lembrar, ainda, que o carro com motor 1.6 16V é flex traz o mesmo pacote de equipamentos, e custa R$ 1.300 a mais. 

No entanto, a nova experiência não pode ser vista, apenas sentida. Sim, pois irá demorar para que você reconheça o Fiesta com o novo motor pelas ruas. Ele será vendido apenas na versão Titanium – que também será oferecida com motor 1.6 16V – e não terá variações esportivas por enquanto. A Ford parece ter respostas concretas do público que admira, e compra, o Fiesta, por isso decidiu não arriscar fazendo um carro chamativo demais, que poderia colocar em risco a aplicação da nova tecnologia. Afinal, você só se veste de Papai Noel para os sobrinhos no Natal, certo? Não usa tal fantasia para ir comprar pão na esquina todos os dias.


ESTILINGUE

Não olhe para as rodas, nem para apetrechos, procurando sinais do turbo. E ainda que você entre no carro e tente descobrir as diferenças visuais entre ele o Fiesta de sempre, não encontrará. De novidade mesmo só há uma plaqueta na tampa do porta-malas com o logotipo Ecoboost. De resto os dois têm o mesmo pacote de equipamentos e ambos só podem ser comprados com a transmissão automatizada Powershit, com dupla embreagem e seis marchas. A falta de um câmbio manual no portfólio também desagrada quem pensa no turbo como um esportivo.

Evidentemente, a nova tecnologia mantém as premissas de potência, prazer e emoção de todo e qualquer turbo, contudo deve ser encarada como a evolução do processo de combustão, antes de qualquer outra coisa. É claro que quando você olha os números de desempenho, a velha máxima dos compressores volta à tona. Em comparação com o Fiesta 1.6, ele foi 2 s mais rápido na aceleração de 0 a 100 km/h, com 9,2 s, e 1,1s na prova de 0 a 400 m, com 16,7s. Ele também é mais rápido que do que a concorrência dotada de 1.0 turbo, como UpTSi (0 a 100 km/h em 9,7 s) e HB20 Turbo (0 a 100 km/h em 10,2 s). Equipado com uma moderna injeção direta de combustível, posicionada bem próximo das velas, o Ecoboost consegue potencializar o poder de centelhamento, e, claro, da combustão.

Isso se traduz em uma sensação de que o carro está sempre desperto, pronto para quebrar recordes, desde o momento que você aperta o botão de partida e roda os primeiros metros. A experiência de pilotagem também fica mais intensa, ainda que a Ford não tenha mudado nem uma vírgula de suspensão direção e freios. É comum você achar que está rápido demais, em pouco tempo, e a cada troca de marchas se sentir como uma pedra lançada por um estilingue. Mas nada impossível de se adaptar. E é fácil se apaixonar.


110 KM A MAIS

Este 1.0 também se vale de um comando variável de válvulas, na admissão e no escape. Isso significa que ele entende o momento exato para uma injeção extra de combustível, dando mais vida às suas arrancadas, mas que também entende quando você alivia o pé, e economiza ao máximo em trechos de velocidade constante. O conjunto conta com bomba de óleo variável, que ajuda a resfriar os pistões quando o módulo entende que estão quentes demais, o que igualmente auxilia na redução de consumo.

Os resultados destas aplicações estão nos expressivos números de consumo. Enquanto o Fiesta aspirado roda 10,8 km/l na cidade e 14,8 km/l na estrada com gasolina, o Ecoboost chega aos 11,2 km/l em percurso urbano e nada menos que 18,3 km/ em velocidade constante, típica de rodovias. Na prática, a cada 1.000 km você rodará 110 km a mais com a versão turbo, com a mesma quantidade de combustível. O que não é pouco.

Outra característica dele, incomum nos outros três-cilindros, é o silêncio de funcionamento. A Ford fez o motor com polias contrabalanceadaspara diminuir a trepidação em movimento, e a correia do motor trabalha embebida em óleo, o que além de diminuir o som de  funcionamento também aumenta a vida útil, e diminui os valores de manutenção.

Falando nisso, a marca tem outras novidades para os compradores. Aquela primeira revisão de 5.000 km para a troca de óleo, que custava R$ 268, foi suprimida. Agora você só tem de ir fazer a manutenção do carro com 10.000 km. As manutenções até 30.000 custam R$ 1.540, apenas R$ 84 mais baratas do que no 1.6 16V, que saem por R$ 1.456 no mesmo período. Um valor irrisório perto da paixão que ele pode despertar em você.

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